A sangue frio

por | 07/04/2018 | Resenhas | 0 Comentários

Autor(es): Truman Capote

Lançamento: 1966

Obrigada, Nádia Tamanaha @namanita

A Sangue Frio, Truman Capote | Companhia das Letras

Em 1959, Herbert e Bonnie Clutter e 2 de seus 4 filhos foram brutalmente assassinados na casa da família, em Holcomb, no Kansas. Assim que leu sobre a chacina, Truman Capote decidiu acompanhar o caso e, 1 mês após o crime, chegou a Holcomb. Após intensas investigações, os autores do assassinato, Perry Smith e Dick Hickock, foram capturados e condenados à pena de morte. As execuções aconteceram apenas em 1965 e, durante quase 6 anos, Capote desenvolveu uma obra não apenas pioneira em não ficção (ou New Journalism), como também uma das mais impressionantes da literatura como um todo.

livro de capa vermelha com o nome do autor em preto. ao lado, uma máquina de escrever cinza. aparece ainda um par de óculos e um tampo de madeira por baixo de tudo

Truman Capote, A sangue frio. Foto: Nádia Tamanaha

O início alterna 2 diferentes versões do dia 14 de novembro de 1959: a de Dick e Perry, que se preparavam para o crime; e a de Herb, Bonnie, Nancy e Kenyon, que, sem saber, viviam o último dia de suas vidas. Muito pouco é revelado sobre a personalidade dos assassinos no começo do livro, já os Clutter têm boa parte de seus perfis traçados neste trecho, por meio da própria descrição do que fizeram em suas últimas horas de vida e dos depoimentos de amigos e empregados da família.

O livro poderia ser sobre a trajetória dos Clutter ou até mesmo sobre o que aconteceu entre o assassinato da família e a execução dos criminosos. E é claro que as perspectivas são pilares importantes. No entanto, a obra de Capote é, acima de tudo, sobre Dick e Perry. Não tem como negar ou justificar a atrocidade do crime. Mas, ao conhecer os criminosos a fundo e conquistar a confiança deles, o jornalista foi preciso e corajoso o suficiente para traçar perfis humanos. E assim desvincular Dick e Perry da figura clichê de assassinos impiedosos e mostrar as trajetórias que coexistem com o crime imperdoável.

Capote acreditava que, se uma história real caísse nas mãos do escritor certo, ela poderia ser tão apaixonante quando a ficção. E estava correto. O autor enriqueceu a narrativa de forma inigualável ao combinar a precisão jornalística a vários recursos da literatura. E o resultado é uma obra tridimensional, como só um caso real poderia ser, e extremamente envolvente, exatamente como as boas histórias de ficção.

 

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Mariana Gago

Advogada e entusiasta do papel transformador dos livros. Idealizadora e editora do projeto Recanto da Literatura.

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